terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Estrela Guia

Era mais um dia de chuva.
E mais uma vez me perguntava qual seria essa missão que todos falam que tenho.
Dizem que nasci com um grande propósito, acredito que eu tenha que ser a luz.
Não por obrigação, mas por ser algo que simplesmente emana de mim, entende?
E aí me veio você, com toda sua turbulência, toda sua inconstância e escuridão.
Você surgiu na minha vida, entrou sem permissão, me abriu os olhos pra um mundo horrível.
Um mundo que eu me nagava a ver, um mundo que eu escondia dentro de mim.
Mas é o mundo que eu percebi que quero iluminar.
E apesar de toda essa luz, eu caí, eu tropecei e meu mundo escureceu. Por várias vezes.
E mesmo com toda essa sua dor, por amor, você me pegou pela mão e me tirou do fundo do abismo.
Meus dias ficaram um pouco mais coloridos. E você foi se tornando cada vez mais especial.
Dois opostos que nunca deveriam se separar. Branco e preto. Luz e sombra. Doce e amargo.
Você , ah VOCÊ, que me trouxe tantos sorrisos, me tirou tantas lágrimas e por tantas vezes me deixou sem ar.
De novo e de novo, eu vou me apaixonar por você.
De novo e de novo, eu vou me fascinar pelo labirinto dos seus olhos e por aquela estranha sensação de saber que quanto mais eu sei sobre você, menos eu penso que realmente vou te conhecer.
Existe mesmo toda essa distância entre nós, não é?
Sinto que por mais que eu tente você é uma estrela intocável, que brilha aos meus olhos mas que já está morta há muitos anos.
Mas você me disse, uma certa vez, "Talvez você tenha razão, há um pouco de luz dentro da escuridão" e nada me fez mais feliz.
E então você me deu essa pedra e me disse que ela sempre me pertenceu. Eu te disse que ela brilha porque existe amor.
E enquanto eu sentir esse amor ela vai brilhar e iluminar meus dias, ofuscando qualquer problema ou tempestade.
Esse amuleto virou minha fonte de força. 
Mas hoje, ele morreu.
Morreu junto com minha vontade, morreu junto com minha determinação, morreu junto com minha esperança. 
Hoje você finalmente me fez desistir de você. 
O que você não sabia, desistir de você é a mesma coisa que desistir de mim.
Desistir daquilo que me motivou por tantos e tantos anos a ser o que eu sou hoje.
Veja bem, não se culpe. Afinal de contas, eu nunca fui sua luz (nem a de ninguém). Sou só mais um corpo vencido pelas trevas daquele mundo sombrio que você há muito tempo me apresentou.
E pelo o pouco de amor pela vida que ainda me resta, eu digo, que te deixo partir.
Não vou entrar em desespero por isso. 
E não, eu não cansei de você. Na verdade, hoje, eu te amo como eu amei por todo esse tempo.
Sabe, é que eu acho que cheguei na ponta do tremendo iceberg que deve ser a sua dor e foi simplesmente insuportável. Você tem total razão, tem coisas que simplesmente não se devem sentir.
E você, definitivamente, não deve sentir essa dor.
Então, minha estrela guia, hoje eu te matei dentro de mim. 
E tudo o que você conhecia de mim morreu contigo.